Soul

Minha foto
Sampa caótica, SP, Brazil
Um equilíbrio dinâmico entre o prazer e a dor.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Felicidade


O Espelho



Esse que em mim envelhece 
assomou ao espelho 
a tentar mostrar que sou eu. 

Os outros de mim, 
fingindo desconhecer a imagem, 
deixaram-me, a sós, perplexo, 
com meu súbito reflexo. 

A idade é isto: o peso da luz 
com que nos vemos.

Mia Couto 

segunda-feira, 7 de abril de 2014

...

Engraçado...
Eu digo:
_Fico triste, não sei o nome dos pássaros_
Aqui estão quase ao alcance das mãos
Posso sentir-lhes a alegria e até tocá-los
Me maravilhar com suas cores e canção
E a agradável sensação que me provoca
Mas, ao amanhecer, murcham em minhas lembranças
Passa o tempo, são borrões risonhos.

Um dia, um dia qualquer...
Eles aparecem de outro jeito
Leio Saíra, Sabiá, Canário, Tiê, Pardal...
Mas por mais que soletre,
A imagem não reaparece
Então às imagino do meu jeito:
Pequeninos, alegres e coloridos
Atravessam a mata, os morros, os mares
Mas não dizem seu nome!

Eles voam com as asas do meu pensamento
Exaltando as cores, imaginar criativo...
Perto do sentir, muito longe do saber.
Em uma das manhãs, é o que peço
Terão um nome!
Talvez "Pasquatela, Zebertelha ou Pedregulha"
Como sugere Furnari
E a Saíra de um tempo
Ficará entre as revoadas de outra estação.

E na renovação da vida
Deixamos para trás folhas, águas, sabores
Paisagens de outrora, encantamentos de outra vida
E os olhos tornam-se preenchidos por outra luz
E os dedos tocam outro horizonte
E a boca outro gosto
O coração outras penas.
Que pena.
Parti...

 Cyn

Teatro


"Veio de manhã molhar os pés na primeira onda
Abriu os braços devagar e se entregou ao vento
O sol veio avisar que de noite ele seria a lua
Pra poder iluminar Ana, o céu e o mar"



Ele


Ele



Já começa a beijar o meu pescoço
com sua boca meio gelada meio doce,
já começa a abrir-me seus braços
como se meu namorado fosse,
já começa a beijar a minha mão,
a morder-me devagar os dedos,
já começa a afugentar-me os medos
e dar cetim de pijama aos meus segredos.
Todo ano é assim:
vem ele com seus cajás, suas oferendas, suas quaresmeiras,
vem ele disposto a quebrar meus galhos
e a varrer minhas folhas secas.
Já começa a soprar minha nuca
com sua temperatura de macho,
já começa a acender meu facho
e dar frescor às minhas clareiras.
Já vem ele chegando com sua luz sem fronteiras,
seu discurso sedutor de renovação,
suas palavras coloridas,
e eu estou na sua mão.
Todo ano é assim:
mancomunado com o vento, seu moleque de recados,
esse meu amante sedento alvoroça-me os cabelos,
levanta-me a saia, beija meus pés,
lábios frios e língua quente,
calça minhas meias delicadamente
e muda a seu gosto a moda de minhas gavetas!
É ele agora o dono de meus cadernos, meu verso, minha tela,
meu jogo e minhas varetas.
Parece Deus, posto que está no céu, na terra,
nas inúmeras paisagens,
na nitidez dos dias, no arcabouço da poesia,
dentro e fora dos meus vestidos,
na minha cama, nos meus sentidos.
Todo ano é assim:
já começa a me amar esse atrevido,
meu charmoso cavalheiro, o belo Outono,
meu preferido.


Elisa Lucinda


segunda-feira, 31 de março de 2014

Mar

"Então, preste atenção: o mar não ensina, insinua... "





Cartola



Embora eu saiba da minha condição de pobre, oprimida, assalariada e explorada, 
Pretendo eu trilhar um caminho feliz. 

Embora saiba que sou limitada, e que ao meu redor, não distante, as realidades são das mais pervesas possíveis, Ainda sim, pretendo ser feliz...

Embora eu não possa fazer muito em relação ao tempo, posso fazer em relação a profundidade e dimensão da minha existência...